sexta-feira, 19 de maio de 2017

António Gedeão.

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Rómulo Vasco da Gama de Carvalho
 nasceu no dia 24 de novembro de 1906 e faleceu no dia 19 de fevereiro de 1997 em Lisboa. Foi professor de física e química do ensino secundário no Liceu Pedro Nunes e no Liceu 
Camões, pedagogo, investigador da história da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão.


LÁGRIMA DE PRETA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
 
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
 
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
 
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
 
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
 
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


O poema “Lágrima de preta” de António Gedeão transmite-nos uma mensagem profunda e uma lição cheia de humanismo. O sujeito poético vai analisar uma lágrima de preta e provar que ela é igual a qualquer outra lágrima. Esta é a ideia central do poema, onde vemos a vertente antirracista do mesmo, que poderá ser exposto em qualquer propaganda contra o racismo realizada nos dias de hoje. O poeta suscita nos leitores uma reflexão sobre o essencial e o acessório, sobre o interior e o exterior, sobre a essência e a aparência, sobre o modo como convivemos com o outro e como aceitamos a diferença.


POEMA PARA GALILEU
Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileu! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios).

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te?
A ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno
às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileu Galilei!
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Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita
num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileu,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar
(que disparate, Galileu!)
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileu?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa
ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileu,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos,
hirtos,
de toga e de capelo
a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível
que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando num perigo
para a Humanidade
e para a civilização.

Tu, embaraçado e comprometido,
em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites
e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas
(parece-me que estou a vê-las),
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim,
que sim senhor,
que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado
e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite
louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo,
na própria intimidade do teu pensamento,
(livre e calma),
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.

Ai, Galileu!
Mal sabiam os teus doutos juízes,
grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo,
empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileu Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer,
homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso, estoicamente,
mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias,
a todos os contratempos,
enquanto eles,
do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.

Pedra Filosofal.
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


O título do poema – Pedra Filosofal – remete para a alquimia (uma substância que, segundo a lenda, se adicionava aos metais pobres para se transformarem em ouro). Assim, este título, associa o sonho humano à magia dos alquimistas, sugerindo que o sonho, qual pedra filosofal, transforma em ouro as fraquezas e as pequenas ambições humanas.
O sonho faz parte da vida dos seres humanos, é tão frequente, concreto e definido como uma pedra, um ribeiro, os pinheiros, as aves... fazem parte da Natureza. Estas comparações que surgem no início do texto sugerem que o sonho é uma coisa simples, mas, ao mesmo tempo, complexa, porque é muito difícil de definir; apontam ainda o quanto os sonhos são abstratos e subjetivos, podendo, no entanto ser transformados em algo tão concreto e definido como outra coisa qualquer.
 

Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de junho de 1888. Aos seis anos de idade foi para a África do Sul, onde aprendeu perfeitamente o inglês, e das quatro obras que publicou em vida, três são em inglês. Durante sua vida, Fernando Pessoa trabalhou em vários lugares como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentarista político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, e ao mesmo tempo produzia suas obras em verso e prosa. Como poeta, era conhecido por suas múltiplas personalidades, os heterônimos, que eram e são até hoje objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra.Fernando Pessoa faleceu em Lisboa, com 47 anos de idade, vítima de uma cólica hepática causada por um cálculo biliar associado a cirrose hepática, diagnóstico que hoje em dia é contestado por diversos médicos.
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NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO – A fragmentação do eu

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
 
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
 
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

  • Análise.
O poeta é múltiplo: dentro dele encerram-se vários “eus” e ele não se consegue encontrar nem definir em nenhum deles, é incapaz de se reconhecer a si próprio – é um observador de si próprio. Sofre a vida sendo incapaz de a viver.



AUTOPSICOGRAFIA – Fingimento artístico
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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração. 


  • Análise.

Neste poema o sujeito poético fala da teoria do fingimento poético, pois um poema não traduz aquilo que o poeta sente, mas sim aquilo que o poeta imagina a partir da recordação do que anteriormente sentiu. O poeta é, assim, um fingidor que escreve uma emoção fingida, pensada, por isso fruto da razão, da imaginação e não da emoção sentida pelo coração.

Liberdade- A dor de pensar.
Resultado de imagem para fernando pessoa caricaturaResultado de imagem para fernando pessoa caricaturaAi que prazer 
Não cumprir um dever, 
Ter um livro para ler 
E não fazer! 
Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
Sol doira 
Sem literatura 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como o tempo não tem pressa... 

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D.Sebastião, 
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca. 


Mais que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca... 



  • Análise.


O poeta não quer intelectualizar as emoções, quer permanecer ao nivel do sensivel para poder desfrutar dos momentos, a constante intelectualização não o permite. Sente-se como enclausurado numa cela pois sabe que não consegue deixar de raciocinar. Sente-se mal porque, assim que sente, automáticamente intelectualizada essa emoção e, através disso, tudo fica distante, confuso e negro. 

Aparição.

Aparição é um romance de Vergílio Ferreira que discute teorias filosóficas relacionadas com o existencialismo, escrito em primeira pessoa e publicado em 1959. A obra divide-se em três partes: o prólogo, a história(dividida em 25 capitulos) e o epilogo( que se divide em quatro partes). Segue a história do protagonista Alberto Soares quando fica colocado numa escola em Évora. 


  • Personagens.
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  1. Alberto Soares: Alberto Soares, o protagonista na Aparição de Vergílio Ferreira, procura compreender a realidade da sua existência. Busca a descoberta da pessoa que há em cada um de nós e a revelação de si a si próprio. Vive atormentado. Este estabelece uma ligação com Sofia mas, como existencialista, não crê na paixão. Aparição oferece-nos a evocação, a descoberta, a revelação, a aprendizagem e reflexão sobre a existência. Muitos acreditam que esta personagem seja o alter-ego de Vergílio Ferreira devido á forma como este narra a história. 
  2. Sofia: Sofia tem uma face jovem, olhos vivos, "corpo intenso e maleável", mãos brancas e subtis, um maravilhoso olhar. Provocadora e sensual, o seu amor é feito de entusiasmo, de desespero e de loucura.Desde criança, se revela difícil, desafiando tudo e todos, as convenções sociais e morais e a própria vida,tentando o suicídio. A personagem Sofia é aquela que leva até ao fim as consequências de estar no mundo.Dotada de excessiva energia, preferia o absoluto da destruição. Isto pode observar-se quando a irmã parte o braço de uma boneca e ela destrói os brinquedos um a um. Sofia é uma personagem lunar, nocturna. Tudo nela é enigma, com comportamentos, muitas vezes, desconcertantes.
  3. Ana: Ana, a filha mais velha do Dr. Moura, revela-se, para Alberto, de uma enorme grandeza. Inquieta, parece, até certo momento, aceitá-lo e compreendê-lo, embora resista à sua notícia "messiânica". A sua sabedoria seduz o professor. Ana possui cabelos longos e lisos, face magra, olhar vivo. Está casada com Alfredo Cerqueira, um homem honesto, prático, mas um pouco grosseiro. Lera dois livros de Alberto e sentira-se tocada pelas considerações existencialistas que neles se vislumbram. Parece haver uma intersecção entre a verdade de Ana e a verdade de Alberto. Alberto chega a considerar que Ana também sabe as palavras do abismo.
  4. Cristina: Cristina é uma menina de 7 anos, admirável, de cabeleira loura. Tocava o "Nocturno 20" de Chopin divinamente. Cristina é só arte. É criança e não questiona ainda a vida, revelando, com a sua música, um mundo maravilhoso de harmonia. A sua inocência tornará presente "o mundo do prodígio e da grandeza".Cristina é uma aparição maravilhosa. A sua música tem, para o narrador, o dom da revelação. Morrerá tragicamente ao regressar de Redondo, mas a sua imagem, a sua música e o silêncio da morte será para sempre uma amargura, presente na memória de Alberto. Cristina, dotada de grande pureza, representa mais alguma coisa para além do que a feição humana permite. Parece não pertencer ao mundo terreno.
  5. Carolino: Carolino, o Bexiguinha, primo do Engenheiro Chico, é também uma personagem importante nesta acção,quer pelo louco assassinato de Sofia, quer sobretudo pela sua fascinação pela morte como criação.
  6. Dr. Moura: É a personagem que se assume na diegese como elemento que fará a ligação aos outros, para depois se apagar até ao afastamento definitivo depois da morte de Cristina. É aquele que acredita em tudo sem necessidade de se interpelar.
  7. Chico: amigo da família Moura, é a personagem que acusa o protagonista quase desde o início da situação vivenciada em Évora. Poderá simbolizar a crueldade humana na facilidade com que julga os homens e as situações.
  8. Alfredo: O protagonista, no decurso diegético, insiste em mostrar o seu lado rude, inconveniente, indiferente  à poesia, à problematização de tudo e de nada. Atravessa o universo diegético como dos não eleitos, mas o protagonista conhece ainda outras facetas das personagens. Depois da morte de Sofia, é Alfredo que assegura a ligação a Alberto. Não pertencendo ao mundo dos eleitos, a sua presença é indispensável aos eleitos como forma de os perturbar.
  9. O Reitor:  o seu dom reside na sabedoria para pressentir, medir, ajuizar com serenidade adequada às circunstâncias e agir em conformidade.
  10. O pai: personagem sempre presente pela ausência, dele pouco se sabe, ou muito se sabe pelo silêncio que o preserva e o revela. O pai revela o dom para a introspeção metafísica da existência.
  11. Tomás: o irmão mais velho de Alberto é personagem de eleição.É o que tem o dom de perpétua ligação à terra, às raízes, essa plenitude, onde tudo estava certo: a harmonia da vida e da morte. A sua interpelação é mais simples, mais tranquila porque assume a tragédia da vida e da morte sem angústia, mas não pertence ao mundo dos distraídos.



  • Espaço.
Évora (Ilustração de J.P.Nogueira)

  1. Espaço Físico: a obra tem como cenário  espaços importantes, estes são Évora,Beira, Montanha. Évora surge como uma ''branca aparição'' enquanto que a montanha é ''poética e mística''. 
  2. Espaço social: o espaço social é constituido pelos seguintes elementos: a hierarquização social; o tipo de convivio que se estabelece entre as pessoas; os valores tradicionais; as tradições populares; as personagens-tipo. Estas personagens-tipo são: Manuel Pateta, o Sr.Machado, o reitor, Chico, Madame e Bailote.
  3. Espaço Psicologico: é constituido pelos seguintes: as reflexões do narrador; monólogos do narrador; pelo canto de Sofia no local da morte de Cristina; pela memória do narrador.

  • Tempo.

  1. Tempo da escrita: o narrador também é protagonista, logo, quando narra, situa-se no tempo da escrita;
  2. Tempo da história: quando o narrador narra, quer a ação principal (Évora), quer a secundária(férias).
  3. Tempo do discurso: consiste em analepses e prolepses- o narrador não narra as ações numa ordem cronológica.

  • Relação entre as personagens.
  1. Doutor Moura: ex-colega do pai de Alberto, vai ser a personagem que o introduz na familia.
  2. Ana: a filha mais velha do Doutor Moura liga-se a Alberto por ser a sua discipula espiritual.
  3. Alfredo Cequeira: marido de Ana, é alvo de interesse do narrador no modo como evidencia a sua rudeza e a sua ingnorancia.
  4. Sofia: a segunda filha do Doutor Moura, vai ter aulas de Latim com Alberto. Ai, ambos sentem-se atraidos o que lhes transmite uma ilusão de identidade. Eles, e com o Carolino, irão formar com triângulo amoroso.
  5. Cristina: a filha mais nova, é alvo do carinho de Alberto, não só pela sua ideia, mas também pela forma maravilhosa como toca piano. Esta morre, mas permanecerá sempre na memória de Alberto, tal como aconteceu com o pai deste.
  6. Carolino: discípulo de Alberto, formará o triângulo amoroso conjuntamente com Alberto, ouve a sua mensagem mas interpreta-a de modo a dar à morte o sentido negativo de destruição e violência, o que o levará a cometer um crime.
  7. Chico: é o oposto de Alberto pois as suas posições perante a vida são antagónicas o que gera entre eles uma certa antipática. 
  • Existencialismo Humanista.
Alberto Soares apresenta-se como um ser em conflito, alguém que procura encontrar um percurso de vida face a uma determinada problemática. Alberto confere a si próprio uma faceta messiânica detentora de uma verdade que tentará levar aos outros, e que, por incompreensão e deturpação, vai originar o seu isolamento e a sua rejeição. O seu percurso é marcado por uma série de encontros e desencontros consigo próprio e com os outros e também pela tragédia da morte.
Embora, alguns o acusem do contrário, nomeadamente Chico, Alberto procura o caminho da dignidade do homem e da valorização da vida.


domingo, 7 de maio de 2017

Vergílio Ferreira.

Resultado de imagem para vergílio ferreiraVergílio António Ferreira nasceu em Gouveia no dia 28 de janeiro de 1916 e faleceu no dia 1 de março de 1996 em Lisboa. Foi um escritor e professor português. Apesar de se ter formado como professor, foi como escritor que mais se distinguiu. O seu nome continua a ser associado á literatura. Em 1992, recebeu o Prémio Camões. 
 A sua vasta obra, geralmente dividida em ficção, ensaio e diário

  • Na ficção temos obras como: Vagão "J"; Mudança e Aparição;
  • Diários: durante treze anos, Vergílio Ferreira publicou cerca de nove volumes de diário ao qual pôs o nome de Conta- Corrente. Os volumes vão desde 1969 até 1992.
  • Nos ensaios temos obras como: Carta ao Futuro; Invocação ao meu corpo e Arte Tempo.
A sua obra costuma ser agrupada em dois períodos literários: Neorrealismo e Existencialismo, podemos considerar a obra Mudança como a obra que marca a transição entre estes dois períodos.

  • Existencialismo.
Existencialismo é uma doutrina filosófica segundo a qual o homem teve primeiramente uma existência metafísica, sendo que essa existência consiste no princípio para a resolução de todos os problemas.


  • Existencialismo Ateu.
O existencialismo ateu baseia-se, assim, nos seguintes:

  1. a ausência precede a essência;
  2. ausência de determinismo;
  3. o homem é responsável por tudo o que faz;
  4. a perceção da realidade é subjetiva;
  5. a solidão marca a existência;
  6. o homem está condenado a "inventar o homem".

RTP Ensina: "Aparição", de Vergílio Ferreira. http://ensina.rtp.pt/artigo/aparicao-de-vergilio-ferreira/


Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Verg%C3%ADlio_Ferreira#Existencialismo
https://www.significados.com.br/existencialismo/

O Doido e a Morte.


  • Resumo: O Governador Civil, Baltazar Moscoso, dramaturgo frustrado, tenta escrever mais uma das suas peças. O contínuo Nunes avisa-o de que o Senhor Milhões o vem visitar com uma carta de recomendação do ministro. Ao ser recebido, o Senhor Milhões  liga a campainha elétrica da secretária a uma caixa que transporta consigo. Em seguida, o milionário comunica que acaba de ativar uma bomba, que rebentará daí a vinte minutos. Desesperado, o Governador Civil vê-se abandonado  por todos, inclusive pela sua mulher, D.Ana. Indiferente à aflição de Moscoso, o senhor Milhões faz a critica demolidora das convenções sociais e a defesa de um sentido último para a Vida. O próprio Governados Civil  admite ter sido a sua uma mentira. E, na iminência da explosão, chegam dois enfermeiros, que vêm buscar o Senhor Milhões, o doido. Afinal, a bomba era apenas algodão em rama e não o temido peróxido de azoto, o que leva o Governador Civil a soltar um palavrão entre a raiva e o alivio. 
  • Personagens:
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  1. Milhões: Homem consciente da realidade e da condição humana.
  2. Governador Civil: Homem inconsciente e preocupado com o estatuto social e o talento.
  3. Aninhas: Demonstra a emancipação da mulher.
  4. Nunes: Espécie de policia- secretário-criado.
  5. Figurantes: Dois enfermeiros.
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  •  Relação entre as personagens: 
  • Relação entre o Sr. Milhões e o Governador Civil: No inicio do texto drámatico, o Governador Civil admirava o Sr.Milhões, devido a ele ser o "Homem mais rico de Portugal" (linha-33). Com o passar do tempo, o Governador Civil acabou por perceber que o Sr.Milhões não passava de um mero tolo ( "Ó Nunes, ele está doido" - linha 94 ; "O senhor é tolo!" - linha 129; 257;) , acabando por lhe ganhar ódio ("O senhor é cruel" - 360; "O senhor é pior que um inquisitor" - linha 367) , pois sem motivo nenhum este o escolheu para morrer - ("Ao senhor escolhi-o para morrer comigo" - linha 74). Com isto o Governador ficou angustiado, preocupado e nervoso ("Ai jesus! ai jesus! ai jesus!" - linha 113)Pelo contrário o Sr. Milhões manteve a calma, e a sua boa disposição, ao longo de toda peça. Ele acaba por justificar os seus atos por se considerar um Imperador, um Rei, um Deus - (" Eu sou imperador, sou Rei, sou Deus! Posso á vontade aniquiliar o universo" linha 108/109). E que ao trazer a morte acaba com as maldades da Terra. (" Eu sou eu, sou um amigo da humanidade. É um gesto meu desaparece a desgraça da face da Terra, acabam os crimes, as misérias e as paixões")."Quando eu tocar nesta campainha arraso com tudo. O peróxido de azote é a maior invenção deste século. Basta carregar aqui com o dedo... Mas nós ainda não nos explicámos. Temos tempo." Linha 68-72;
  • Relação entre o Governador Civil e Aninhas: O governador civil lembra-se de chamar a sua mulher, para ver se ela ainda o consegue salvar. Mas quando a mulher chega e se confronta com a situação, ela mostra um desinteresse para com o marido, e só pensa na sua própria salvação.Daí quando a sua mulher foge para não morrer queimada, o Sr.Milhoes aproveita logo para rebaixar as mulheres ("Aí têm o senhor o que são as mulheres, a sua e as dos outros." - linha 233). Mas o governador não quer morrer com um desgosto de amor, por isso pede-lhe para não lhe tirar as ultimas ilusões que tinha da mulher. 
  • Estrutura Interna:
  1. Exposição: Linha 1-36;
  2. Conflito: Linha 37- 404;
  3. Desenlace: Linha 405-413;
  • Processos de Cómico: 
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  1. Cómico de Situação:  nesta obra o cómico de situação aparece pela situação em que o Governador Civil se encontra. O Sr.Milhões afirma que tem uma bomba irá explodir dentro de 20 minutos, causando o pânico no Governador Civil, o que causa o riso no público. Outra situação onde se encontra este processo de cómico é quando entra Aninhas, a mulher do Governador Civil. Ao ver a situação onde o seu marido se encontra, decide abandoná-lo, referindo "Morrer queimada, não!". A atitude desta personagem causa o riso.
  2. Cómico de Linguagem: por exemplo, a última frase da obra é "Ai o grande filho da puta!" que causa o riso. A utilização de palavras obscenas é uma das características do cómico de linguagem. 

  • Existencialismo: No existencialismo, o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem designado por "atitude existencial", ou uma sensação de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo. O ser humano está submerso nas condições da sua existência. O ser humano confronta-se com o problema da morte, do sentido da sua existência e do destino da sua alma. É na morte que o individuo se confronta com a sua própria condição humana.





quinta-feira, 30 de março de 2017

Raul Brandão

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Raul Germano Brandão nasceu a 12 de março de 1867 na Foz do Douro no Porto e faleceu a 5 de dezembro de 1930 em Lisboa. Foi um militar, jornalista e escritor português. Ficou famoso pelo realismo das suas descrições e pelo lirismo da linguagem. 
No Porto, conviveu com os jovens escritores António de Oliveira, António Nobre e Justino de Montalvão com quem, em 1892, subscreveu o manifesto Nefelibatas . Iniciou a sua carreira literária em 1890 com Impressões e Paisagens .Ao longo de uma obra multifacetada, Raul Brandão viria a ser um dos escritores que, a par de Fernando Pessoa, mais influíram na evolução da literatura portuguesa do século XX, sendo eleito figura tutelar não apenas de gerações suas contemporâneas, como o grupo reunido em torno de Seara Nova , ou o chamado grupo da Biblioteca Nacional (Jaime Cortesão, Raul Proença, Aquilino Ribeiro, Câmara Reis), como de gerações posteriores para as quais a redescoberta da obra de Raul Brandão serviu de esteiro para o reformular de estruturas novelísticas tradicionais. 

Raul Brandão escreveu obras como: 
  1. Impressões e Paisagens (1890);
  2. História de um Palhaço (1896);
  3. O Padre (1901);
  4. A Farsa (1903);
  5. Os Pobres (1906);
  6. Húmus (1917);
  7. Memórias (vol. I), (1919);
  8. Teatro (1923);
  9. Memórias (vol. II), (1925);
  10. As Ilhas Desconhecidas (1926);
  11. A Morte do Palhaço e o Mistério das Árvores.