quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Poveirinhos.

Poveirinhos! meus velhos Pescadores!
Na Agua quisera com Vocês morar:
Trazer o grande gorro de três cores,
Mestre da lancha Deixem-Nos Passar!


Far-me-ia outro, que os vossos interiores,
De há tantos tempos, devem já estar
Calafetados pelo breu das Dores,
Como esses pongos em que andais no Mar!

Ó meu Pai, não ser eu dos poveirinhos!
Não seres tu, para eu o ser, poveiro,
Mail’Irmão do «Senhor de Matosinhos!»


No alto mar, às trovoadas, entre gritos,
Prometemos, si o barco fôri intieiro,

Nossa bela à Sinhora dos Aflitos!
  • Análise do poema:
O tema desta composição poética são os pescadores e o seu assunto consiste no facto do sujeito poético louvar os pescadores através da enunciação do desejo de querer ser um deles. O poema tem um tom melancólico. Os recursos expressivos aqui apresentados são: a apóstrofe (''Ó meu pai''); a metáfora (''Na água quisera com vocês morar''). Apresenta um tom coloquial e um vocabulário popular. 

António Nobre.

António Pereira Nobre nasceu no Porto a 7 de agosto de 1867 e faleceu a 18 de março de 1900. É mais conhecido como António Nobre. Foi um poeta português cuja obra se insere nas correntes ultra-romântica, simbolista, decadentista e saudosista da geração finissecular do século XIX português. O poeta trouxe a linguagem poética ao nível da fala comum, fazendo da poesia o milagre de uma conversa à lareira. Quando pensamos nos antecedentes literários desta evolução lírica, encontramo-los no lirismo quinhentista, no folclorismo de Gil Vicente, no Romanceiro e no casticismo teórico e prático dos românticos.
António Nobre, apesar da escassez do número de obras, tem de ser reconhecido, pois constitui um dos grandes marcos da poesia do século XIX e uma referência obrigatória na Literatura Portuguesa. É destacado pelo livro Só e as suas obras póstumas Despedidas e O Desejado, e Primeiros Versos. O poeta recusou a elaboração convencional, a oratória e a linguagem elevada do simbolismo do seu tempo, procurando dar à sua poesia um tom de coloquialidade, cheio de ritmos livres e musicalidade, acompanhado de um cenário pictórico rico e original. Nesta rutura com o simbolismo foi precursor da modernidade. Marcantes, ainda, na sua obra são o pessimismo e a obsessão da morte, o fatalismo com a sua predestinação para a infelicidade. 



De Tarde.

Resultado de imagem para claude monet campo di papaveriNaquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.


Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpura a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

  • Análise do poema:
Edouard Manet - Luncheon on the Grass - Google Art Project.jpgÉ a representação impressionista de um cenário campestre em que se movem figuras que participam numa merenda, com especial destaque para o ''ramalhete rubro de papoulas'' que emerge do decote rendilhado do vestido de uma rapariga e contrasta, em forma e cor com a brancura dos seus seios, como ''duas roulas''. O sujeito poético estabeleceu a analogia entre o texto e uma ''aguarela'' que faz lembrar o celebre quadro Le Déjeuner sur l’herbe de Édouard Manet. Imediatamente nos impressiona a força das cores azul e vermelha, dos tons de amarelo ou dourado e da subentendida cor branca da renda e dos seios. Porém, o ponto central do quadro é a mancha vermelha (cor quente) do ramalhete das papoulas, cuja coloração no vértice do decote, entre rendas ladeado pelos seios assume conotações de alguma sensualidade.
O poema pode dividir-se em 3 partes lógicas: a primeira quadra corresponde a uma introdução, que nos apresenta o texto como uma aguarela (palavra chave) representativa de um ''pic-nic de burguesas'' em que houve ''uma coisa simplesmente bela''; a segunda e terceira quadras descrevem o pic-nic; finalmente a quarta estrofe iniciada pela conjunção coordenativa adversativa ''mas'' corresponde á conclusão, na qual o sujeito poético faz referência à memória mais grata daquele acontecimento ''o supremo encanto'' que ficou daquela merenda: '' o ramalhete rubro das papoulas''. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Os temas e a linguagem da poesia cesariana.

Na poesia de Cesário Verde podemos encontrar vários temas, como por exemplo:

  • sentidos e sensações; 
  • realidade objetiva e quotidiana;
  • descrição das ruas de Lisboa;
A linguagem que Cesário Verde utiliza nos seus poemas é uma linguagem coerente e comum, sem véus de retórica, exata e sensorial. Podemos dizer que Cesário Verde era o poeta das sensações e dos sentidos.


Cesário Verde e o Impressionismo.

Resultado de imagem para cesário verdeJosé Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa a 25 de fevereiro de 1855 e faleceu a 19 de julho de 1886 também em Lisboa. Foi um poeta português no século XX. Cesário Verde foi uma vitima da tuberculose, tal como os seus irmãos, acabou por falecer com 31 anos.
Cesário Verde tem apenas um livro chamado O Livro de Cesário Verde. É uma compilação de poemas de Cesário Verde organizados pelo seu amigo Silva Pinto que foi publicado em 1901, já depois da sua morte. Nos seus poemas Cesário Verde mostra as suas técnicas impressionistas e retrata o campo e a cidade, que são os cenários que predominam os seus poemas.  





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  •    Impressionismo.
É um movimento que surgiu na pintura francesa do século XIX. O nome do movimento é derivado do nome da obra "Impressão: nascer do sol"(1872) de Claude Monet. Os autores do impressionismo deixam de se preocupar com os preceitos dos do Realismo. 




Algumas características da pintura impressionista:

  • é uma pintura instantânea que se assemelha á fotografia;
  • as figuras não devem ter um contorno nítido pois o desenho deixa de ser o centro do quadro, passando a ser manchas ou cores;
  •  as sombras devem ser luminosas e coloridas;
  • o preto é uma cor pouco utilizada;
  • os contrastes de luz e sombra que são diferentes dos do movimento passado;
  • os pintores preferem retratar a natureza;
Alguns pintores desta época:  Claude Monet, Edouard Manet, Edgar Degas.

Nox- Análise

Este poema é um soneto pois apresenta duas quadras e dois tercetos. Como o titulo indica, este soneto fala sobre a noite (Nox em latim é ''noite''). O tema deste soneto é o desejo de libertação dirigido à noite como símbolo do apaziguamento, da evasão, do inexistir.
Nas primeiras quadras o poeta invoca a noite e faz uma oposição com o dia. Nos tercetos, o poeta tenta libertar-se do mal que aparece associado com a noite que o impede de ''ver'' e de ''lutar''. Faz uma referência á "luz cruel do dia" (v.2) em que decorreram as suas lutas.
O poeta apresenta a noite como fim eterno, ou seja, a morte ("Noite sem termo, noite do Não-ser!"; v.14). Como se sente derrotado, o poeta espera que a noite eterna adormeça e que caia sobre o mundo.

Fonte: http://folhadepoesia.blogspot.com/2012/09/nox-antero-de-quental.html

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Nox

Noite, vão para ti meus pensamentos, 
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia, 
Tanto estéril lutar, tanta agonia, 
E inúteis tantos ásperos tormentos... 

Tu, ao menos, abafas os lamentos, 
Que se exalam da trágica enxovia... 
O eterno Mal, que ruge e desvaria, 
Em ti descansa e esquece alguns momentos... 

Oh! Antes tu também adormecesses 
Por uma vez, e eterna, inalterável, 
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses, 

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver, 
Dormisse no teu seio inviolável, 
Noite sem termo, noite do Não-ser! 

Antero de Quental, in Sonetos.