domingo, 26 de março de 2017

Os Maias de Eça de Queiroz.

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Capa do livro Os Maias. 
  • Realismo e Naturalismo:

Realismo: Foi um movimento literário e artístico que nasceu nas últimas décadas do século XIX na França. O Realismo é mais estético e preocupa-se com o caracter do romance naturalista. É uma resposta ao exagero do romantismo. Os seus fundadores foram Antero de Quental e Eça de Queiroz através da Questão Coimbra e das Conferencias do Casino Lisbonense.

Naturalismo: radicalização do realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiencia, mostrando que o individuo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade. Os temas explorados são: a homossexualidade, o incesto, o desequilíbrio que leva á loucura. As obras do realismo destacavam-se pela abordagem aberta do sexo e pelo uso da linguagem. 
  • Caricatura e Cartoon;

ca·ri·ca·tu·ra 
substantivo feminino
1. Representação grotesca de pessoas ou acontecimentos.
2. [Figurado]  Pessoa caricata.

cartoon |càrtúne| 
(palavra inglesa)

substantivo masculino
1. Banda desenhada, geralmente de carácter humorístico.
2. Cada um dos desenhos que compõem um filme de desenhos animados.
3. Filme de desenhos animados. = ANIMAÇÃO



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  • Rafael Bordalo Pinheiro
Rafael Augusto Bordalo Pinheiro foi um artista português, de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, desenhador, aguarelista, ilustrador, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor. O seu nome está associado com a caricatura portuguesa e á representação popular do Zé Povinho que se tornou o símbolo do povo português.

Filho de Manuel Maria Bordalo Pinheiro e D. Maria Augusta do Ó Carvalho Prostes, em família de artistas, cedo ganhou o gosto pelas artes. Nasceu a 21 de março de 1846 em Lisboa e morreu a 23 de janeiro de 1905 em Lisboa. Em 1875 criou a figura do Zé Povinho, publicada n'A Lanterna Mágica.


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  • Titulo e Subtitulo;

“Os Maias”: título e subtítulo A obra “Os Maias” recebe este título porque acompanha três gerações da família Maia correspondentes a momentos histórico-políticos e culturais diferentes: 1º Geração, a de Afonso da Maia, marcada pela reação contra o absolutismo e a defesa dos valores antigos. 2º Geração, a de Pedro da Maia, marcada pela instauração do Liberalismo e pelo ultrarromantismo. 3º Geração, a de Carlos da Maia, marcada pela queda dos ideais liberais.

 O título refere-se à intriga principal e secundária e acompanha a história de vida e peripécias dos três elementos masculinos da família Maia antes referidos. O subtítulo “Episódios da Vida Romântica” indica a intenção de descrever o estilo de vida romântico através de episódios que se relacionam de alguma maneira com as personagens principais. O subtítulo é justificado pois o narrador oferece-nos vários casos, cenas ou atitudes, consideradas típicas dos Romantismos de 1875/1876 e de Portugal caracterizado pelo desânimo da geração de setenta.
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Na intriga principal abrangem-se temas como os amores incestuosos de Carlos e Maria Eduarda. A intriga secundária abrange os amores de Pedro da Maia e Maria Monforte. A intriga secundária é constituída pelo casamento de Pedro da Maia  e Maria Monforte. Há um recuo no tempo e há uma referencia ao casamento de Afonso e á sua educação e a morte da esposa de Afonso, Eduarda Runa.
Na intriga secundária surgem outras ações secundárias, como por exemplo:
·         os amores adúlteros de Carlos da Maia com a Gouvarinho;
·         o amor entre Ega e Raquel Cohen;
·         a pulhice de Dâmaso Salcede que revela a degradação moral, do jogo das influencias politicas, da corrupção, ignorância e hipocrisia;
·         as diferenças da educação tradicional de Eusebiosinho e da educação britânica moderna de Carlos;
Estas intrigas que aparecem na intriga secundária ajudam a compreender a intriga principal da obra e contribuem para a critica social.


  • Personagens da Obra;
Personagens da intriga secundária:


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    Afonso da Maia.
  • Afonso da Maia: é a personagem mais valorizada pelo autor da obra, não sabemos se tem defeitos. Quando era jovem aderiu aos ideias do liberalismo. Ama a natureza e o que é pobre e fraco e simboliza o velho Portugal;


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    Pedro da Maia
  • Pedro da Maia: filho de Maria Eduarda Runa e de Afonso da Maia. É débil e fraco devido á sua educação tradicional portuguesa. Após a morte de sua mãe começa a ter crises de melancolia. Casa com Maria Monforte contra a vontade do seu pai. Suicida-se quando Maria Monforte foge com Tancredo. É o protótipo do herói romântico;



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      Pedro da Maia e Maria Monforte
    • Maria Monforte: É bela, tem cabelos loiros, testa curta e clássica, olhos azuis. Era conhecida em Lisboa por Negreira devido ao seu pai. Tem dois filhos ( Carlos da Maia e Maria Eduarda) e foge com Tancredo. Tem um carácter pobre, excêntrico e excessivo. É culpada por tudo o que acontece á familia Maia.


    Personagens da intriga principal: 



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      Carlos da Maia
    • Carlos da Maia: «Magnifico moço, alto, bem feito, de ombros largos, com uma testa de mármore sob os anéis dos cabelos pretos, tinha um ar de um príncipe da Renascença» Cursou medicina em Coimbra Aristocrata rico e ocioso com tendência para o diletantismo (fatal dispersão de ocupações e de gastos) Temperamento dominado pela sobriedade e pelo dandismo; Esforço de Carlos para fazer do ramalhete uma residência com luxo sóbrio e discreto; Amores de Carlos com a Condensa de Gouvarinho; Paixão de Carlos por Maria Eduarda;
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      Maria Eduarda

      • Maria Eduarda: Mulher bela e elegante; É culta; Revela a Carlos o seu passado atribulado na companhia da mãe; Casa com Mac Gren, de quem tem uma filha, este que morre na batalha de Saint-Privat; Vive com um brasileiro rico, Castro Gomes, que a caminho do Brasil a traz a Lisboa onde conhece Carlos da Maia; É sensata e tem um forte sentido de dignidade; É apologista da república;

      • Linguagem e estilo de Eça de Queiroz.
      1.  Na adjetivação parece residir um dos meios mais expressivos e originais. É talvez usado o mais flexível e rico dos instrumentos verbais usado por Eça. Na hierarquia das palavras, o adjetivo é que comunica cor, matriz e tonalidade. 
      2. Uso expressivo do adjetivo: caricatura; impressionismo; adjetivo com função adverbial; colocação invulgar do adjetivo.
      3. O adverbio é um dos campos favoritos de experimentação neológica; visão impressionista unida ao desejo de concisão. 
      4. Uso expressivo do adverbio: adverbio metafórico; a superlativar o adjetivo; acumulação de advérbios com efeito enfático; antítese do verbo; criação de advérbios a partir de adjetivos;
      5. Uso expressivo do diminutivo: a exprimir afeto ou irónico, depreciativo, caricaturial. 
      6. Recursos expressivos:  - a hipálage – figura de estilo que consiste em atribuir uma qualidade de um nome a outro que lhe está relacionado, revelando assim a impressão do escritor face ao que descreve.- a sinestesia – figura de estilo relacionada com o apelo aos sentidos que nos transporta para um conjunto de sensações por nos descrever determinado ambiente (cenário envolvente) com realismo, tornando-nos de certa forma testemunhas desse cenário.- a ironia – recurso estilístico que, por expressar o contrário da realidade, serve para satirizar e expor contrastes e paradoxos.
      • Tempo: O tempo na obra Os Maias apresenta três tipos: tempo histórico, tempo do discurso e tempo psicológico.
      • Tempo Histórico: Reflete os acontecimentos cronológicos do país. O tempo apresenta-se com o encadeamento das três gerações da família Maia, dando destaque a Carlos, o último membro desta geração. O tempo histórico inicia-se em 1820 até 1887, estendendo-se, assim, a intriga durante 70 anos.
      • Tempo do Discurso: Definição: O tempo do discurso é revelado através da forma como o narrador relata os acontecimentos. Ele pode apresentá-los de forma linear, optar por retroceder no tempo em relação ao momento da narrativa em que se encontra ou antecipar situações.
        O discurso inicia no outono de 1875 quando Carlos conclui a sua viagem de um ano pela Europa após a sua formatura. Instalou-se em Lisboa com o seu avô. O narrador usa uma analepse até a uma parte do Capitulo IV. Durante esta analepse há referencias aos antepassados do protagonista e depois recupera o presente da história que tinha iniciado nas primeiras linhas da obra. Esta primeira parte é considerada uma novela introdutória.
      • Tempo Psicológico: É o tempo que a personagem assume. É filtrado pelas suas vivências, é o tempo que se alarga ou encurta conforme o estado de espirito da personagem em questão. O tempo psicológico introduz subjectividade que opõem em causa as leis do naturalismo.
      • Espaços:
      Espaço fisico: 
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      Ramalhete
      1. Ramalhete:Como podemos ver no primeiro capítulo da obra, onde as primeiras páginas consistem sobretudo na descrição do Ramalhete, que se encontrava desabitado. Podemos verificar a ausência de vida no excerto: Ao fundo de um terraço de tijolo, um pobre quintal inculto, abandonado às ervas bravas, com um cipreste, um cedro, uma cascatazinha seca, um tanque entulhado, e uma estátua de mármore (onde Monsenhor reconheceu logo Vénus Citereira) enegrecendo a um canto na lenta humidade das ramagens”. O facto da “cascatazinha” ser “seca”, mostra-nos a ausência de vida porque a água simboliza a vida. O cipreste e o cedro simbolizam a passagem do tempo/envelhecimento. E a estátua de mármore “enegrecendo a um canto” representa a ausência de amor. Na fachada do Ramalhete, encontramos a seguinte descrição: “Sombrio casarão de paredes severas; Com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação dos tempos da S. D. Maria I, com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de jesuítas.” Na fachada, também encontramos um “escudo de armas…representando um grande ramo de girassóis”, Este ramo de girassóis simboliza a importância da terra e da província no passado daquela “família antiga da Beira”.
      2. Santa Olávia: situada na margem esquerda do Douro, simboliza a vida e regeneração da família Maia, representa a purificação de Afonso. É o simbolo da vida, ligada á água que contrasta com Lisboa ‘’a cidade degradada.’’
      3. Consultório de Carlos:“E tanto se agitou, que daí a dois dias tinha alugado um primeiro andar de esquina.Carlos mobilou-o com luxo. Numa antecâmara, guarnecida de banquetas de marroquim, devia estacionar, à francesa, um criado de libré. A sala de espera dos doentes alegrava com o seu papel verde de ramagens prateadas, a plantas em vasos de Ruão, quadros de muita cor, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de colecções do Charivari, de vistas estereoscópicas, de álbuns de actrizes seminuas, para tirar inteiramente o ar triste de consultório, até um piano mostrava o seu teclado branco”.
      4. Coimbra: : É onde ocorrem os estudos de Carlos e as suas primeiras aventuras amorosas. É uma fonte de diletantismo marcado pela estagnação. Através de Coimbra e da sua vida de dispersão sugere-se que os indivíduos que estavam á frente dos destinos dos país passaram forçosamente por este meio de sentimentalismo. É através deste espaço luxuoso que Carlos revela o seu diletantismo e a sua predisposição para a sensualidade. 
      5. A Toca: É o espaço onde Carlos da Maia e Maria Eduarda partilham as suas curtas juras de amor. Simboliza a tragicidade da relação pois está carregada de presságios: nas tapeçarias “desmaiavam, na trama lã, os amores de Vénus e Marte”; de igual modo o amor de Carlos e de Maria Eduarda estava condenado a desmaiar e desaparecer; “…a alcova resplandecia como o interior de um tabernáculo profano…” misturando o sagrado com o profano para simbolizar o desrespeito pelas relações fraternas.“Carlos mostrava-se indiferente aos presságios, inconsciente e distante, mas Maria Eduarda impressionava-se ao ver a cabeça degolada de S. João Baptista, que foi degolado por tem denunciado a relação incestuosa de Herodes, e a enorme coruja a fitar, com ar sinistro, o seu leito de amor” A coruja é considerada uma ave de agoiros, sendo considerada um indicio de uma tragédia. 
      Espaço Social: o espaço social comporta os ambientes, onde atuam as personagens que o narrador achou melhor representarem a sociedade portuguesa. Destacam-se episódios e ambientes tal como:
      1. Jantar no Hotel Central: No jantar no Hotel Central, em termos funcionais, mostrou-se o primeiro contacto de Carlos como meio social lisboeta e também é a primeira vez que ele vê Maria Eduarda. É neste episódio que estão representados os temas mais predominantes da vida politica-cultural lisboeta, pois falam-se de temas como a Literatura, Finanças e a Politica. Com este episódio da crónica de costumes, o autor demonstra a incoerencia cultural do povo português e a decadência do pais. 
      2. Corrida de Cavalos: espelha-se no desejo de imitar o que se faz no estrangeiro e era considerado sinal de progresso. Apreciamos de forma irónica e caricaturial uma sociedade burguesa que vive de aparencias. Os cavalheiros sentiam-se embaraçados por vestirem trajes tão chiques e as senhoras vestiam "vestidos sérios de missa" . O ambiente era muito requintado mas também ligeiro como compete a um evento desportivo. Os objectivos deste episódio são os seguintes: o contacto de Carlos com a alta sociedade lisboeta, incluindo o rei; uma visão panorâmica desta sociedade sobre o olhar crítico de Carlos; tentativa frustrada de igualar Lisboa às demais capitais europeias.
      3. Jantar na Casa dos Gouvarinhos: Acima de tudo, estes jantares pretendiam transmitir:- O atraso intelectual do país;- A mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia;- A degradação dos valores sociais. Há duas personagens que temos de ter em conta são: Conde Gouvarinho e Sousa Neto. Conde Gouvarinho: é através desta personagem que se pode verificar a grande contradição entre o ser e o parecer, pois o conde Gouvarinho é um representante da alta politica e do poder instituído, por outro lado não tem qualquer visão histórica ou qualquer tipo de cultura relevante para a sua posição. Sousa Neto: Representante da administração pública, intelectualmente muito medíocre e não conseguia manter uma conversa à altura do seu cargo. Esta personagem vem acentuar a mediocridade mental que já fora identificada e referida no Conde Gouvarinho.
      4. Sarau no Teatro da Trindade: demonstra o misero desenvolvimento de Portugal na época através da falta de educação, respeito e apreciação por parte dos espetadores da alta sociedade. 
      Espaço Psicológico: aparece ligado ao sonho, à imaginação, à memória e as emoções e reflexões. 
      1. O Sonho:  funciona como factor inicial da acção, apontando para a relação amorosa que se estabelecerá entre Carlos da Maia e Maria Eduarda;
      2. A Imaginação: está ligada ao estado de espirito de Carlos. Carlos usa a imaginação para imaginar as formas sensuais do corpo de Maria. 
      3. Emoções e Reflexões: Estes estados de espírito remetem à personagem central (Carlos) quando este reflecte acerca do caminho a seguir com Maria Eduarda e das consequências que dai adviriam. Estes constantes pensamentos estão presentes principalmente quando este se prepara para depois das revelações de Castro Gomes, romper as suas relações com Maria Eduarda. Mas o interior deste é explorado de forma ainda mais profunda quando a intriga atinge a sua fase culminante: quando este resolver revelar à irmã a verdade já conhecida e quando reflecte acerca das consequências do incesto.
      4. Memória: A activação da memória, nos Maias está ligada à morte de Afonso da Maia, principalmente quando Carlos relembra a morte do avo.A memória dá-se quando Carlos recorda o passado familiar revelado por Ega numa noite de boémia. Mas esta (memória) tem mais impacto quando Carlos desabafa a catástrofe sobre o que resta da família dos Maias, isto é, quando morre Afonso da Maia.Não é por acaso que a memória está ligada aos momentos fulcrais da intriga, pois esta dá-se quando as personagens mais importantes estão dominadas por estados de espírito altamente emocionados.Este é o tipo de situação que representa melhor o espaço psicológico: a conturbação intensa, a duvida violentamente sentida, a crise de autoconfiança, estados de espírito normalmente condicionados pelo desenrolar da intriga.
      • Ação: 
      Ação fechada: a acção é fechada já que a história da família, nomeadamente a relação entre Carlos e Maria Eduarda, o destino final das personagens é revelado.
      Ação aberta: Em relação à crónica de costumes, Eça descreve a sociedade da segunda metade do século XIX apontando os seus defeitos e vícios.No entanto, no final abre uma perspectiva da existência que se cruza com a concepção trágica da intriga, ou seja, apesar da acção ser fechada quanto à história da família Maia.
      • Indícios de fatalidade:
      Um dos indícios de fatalidade que podemos encontrar na obra é a primeira vez em que Afonso da Maia vê Maria Monforte pela primeira vez. “Afonso não respondeu: olhava cabisbaixo aquela sombrinha escarlate, que agora se inclinava sobre Pedro, quase o escondia, parecia envolvê-lo todo - como uma larga mancha de sangue alastrando a caleche sob o verde triste das ramas.” A sombrinha escarlate que se inclinava sobre Pedro “como uma larga mancha de sangue” agoura a “poça de sangue que se ensopava no tapete” na noite do suicídio de Pedro, quando se confirma a tragédia.
      Maria Monforte é caracterizada como uma deusa. Esta personagem é relacionada com a Vénus Citereia que se encontra no jardim do Ramalhete. Por um lado, esta estátua simboliza a feminilidade perversa responsável pela tragédia da família. Por outro lado, o facto de ser de mármore faz-nos relembrar a tragédia clássica e sugere a morte, por ser o material usado nas campas e também pela cor branca associada à frieza da morte.
      O sombrio dos olhos azuis de Maria Monforte sugere o luto e a desolação que assomará a família Maia, devido ao comportamento desta personagem.
      · Descrição dos lírios na casa de Maria Eduarda
      “Ao pé da porta havia um piano antigo de cauda, coberto com um pano alvadio; sobre uma estante ao lado, cheia de partituras, de músicas, de jornais ilustrados, pousava um vaso do Japão onde murchavam três belos lírios brancos (…)” Os Maias, cap. XI
      Em casa de Maria Eduarda os “três belos lírios brancos” num vaso do Japão começam a murchar, quando se inicia a relação com Carlos da Maia.
      O murchar dos lírios, flores que simbolizam a pureza, indicia que esta relação incestuosa iria provocar o destroçar de uma família, da qual apenas restavam, exactamente, três elementos.
      O comentário: “- Há três anos, quando o Sr. Afonso me encomendou aqui as primeiras obras, lembrei-lhe eu que, segundo uma antiga lenda, eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete. O Sr. Afonso da Maia riu de agouros e de lendas… Pois fatais foram!” de Vilaça reconhece o desenlace trágico que se cumpriu.
      A semelhança entre o nome de Carlos e de Maria é um indicio pois indica uma afinidade familiar já que ela é Maria Eduarda e ele Carlos Eduardo. 


      • A Educação:
      1. Educação tradicionalista e conservadora(portuguesa): A educação tradicionalista e conservadora caracteriza-se pelo recurso à memorização; ao primado da cartilha apenas com os saberes e os valores aí incertos; pela moral do catecismo e pela devoção religiosa com a punição do pecado; pelo estudo do latim como língua morta; pela fuga ao ar livre e ao contacto com a Natureza. Este modelo tradicional Português marcado por uma educação livresca, baseada na desvalorização da vontade e do espírito critico, na excessiva proteção feminina, desvaloriza a criatividade e o juízo crítico, deformando a vontade própria e arrastando os indivíduos para a decadência física e moral. Em Pedro da Maia, por exemplo, levou-o a uma devoção histérica pela mãe e tornou-o incapaz de encontrar uma solução para a sua vida quando Maria Monforte o abandonou. Em Eusebiozinho tornou-o "molengão e tristonho", arrastou-o para uma vida de corrupção, para um casamento infeliz e para a debilidade física. 
      2. Educação inglesa: A educação inglesa procurou "criar a saúde e os seus hábitos" fortalecendo o corpo e o espírito, graças a ela, Carlos da Maia adquiriu valores de trabalho e de conhecimento experimental que o levaram a abraçar um curso de medicina e projetos de investigação, com empenhamento na vida literária, cultural e cívica. Este tipo de educação caracteriza-se pelo desenvolvimento da inteligência graças ao conhecimento experimental; pelo desprezo da cartilha; pela ginástica; pela vida ao ar livre; pelo contacto com direto com a natureza, e pelo gosto das línguas vivas, como o inglês. 
      3. A educação de Carlos da Maia: A educação de Carlos decorre sobretudo na Quinta de Santa Olávia e sob a orientação do avó Afonso da Maia, segue um modelo inglês, rejeitando a educação portuguesa. Regida por um modelo britânico, a educação de Carlos, aconselhava a vida ao ar livre, o contacto com a Natureza, o exercício físico, a aprendizagem de línguas vivas, a rejeição da catequese e do conhecimento exclusivamente teórico, utilizando o conhecimento experimental para desenvolver a inteligência. Este modelo regia também por uma disciplina no horário das refeições e do sono. 
      4. Carlos da Maia e o fracasso: As causas do fracasso de Carlos da Maia não são atribuíveis à educação que recebeu, a qual, seguindo o modelo inglês, o formara nos valores do trabalho e do conhecimento virada para a ação. Na verdade, apesar de culturalmente superior, Carlos deixa-se contagiar peça carência de vitalidade e de motivações do meio social que o envolve, o que terá sido causa determinante do referido fracasso. Apoiando no seu estatuto económico, entrega-se facilmente as suas tendências para o diletantismo e para o dandismo. Para além disso, a paixão romântica e o desfecho trágico desta aventura afastam-no definitivamente de quaisquer desígnios de atividade produtiva. Por isso, em determinado momento do seu percurso, o desencanto e a desistência serão assumidos pela personagem como filosofia de vida.



      Fonte: http://www.notapositiva.com/old/trab_estudantes/trab_estudantes/portugues/11osmaiosespacoeaccao.htm
      http://webfoliodamargarida.blogspot.pt/search?updated-min=2016-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2017-01-01T00:00:00-08:00&max-results=2
      http://mym-pt.blogspot.pt/2011/04/os-maias-accao-estrutura-tragica-da.html

      quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

      Simão como Herói Romântico.

      Resultado de imagem para amor de perdição simãoInicialmente é apresentado como um jovem de temperamento sanguinário e violento. Conheceu, durante os três meses em que esteve em Viseu, a vizinha Teresa. Eles com 17 anos, ela com 15, passam a viver desde então o amor romântico: um amor que redime os erros, que modifica as personalidades, que tem na pureza de intenções e na honestidade de princípios as suas principais virtudes. Aliás, são as virtudes que caracterizam os sentimentos de Simão, desde que experimenta este amor. Torna-se recatado, estudioso e até religioso, o que não o impede de sentir uma sede incontrolável de vingança, que resulta no assassinato do rival Baltasar Coutinho. Esse ato exemplifica a proximidade entre “o sentimento moral do crime” ou “o sentimento religioso do pecado” e a tentativa de consumação do amor. O modo como assume este crime, recusando-se a aceitar todas as tentativas de escamoteá-lo, feitas pelos amigos de seu pai, acaba de configurar o caráter passional do comportamento de Simão. Nem a possibilidade da forca e do degredo, nem as misérias sofridas no cárcere conseguem abater a firmeza, a dignidade, a obstinação que transformam Simão Botelho em símbolo heróico da resistência do individuo perante as vilezas da sociedade. Trata-se de um típico herói ultra-romântico, em outras palavras.

      Caracterização das Personagens- Amor de Perdição.


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      João da Cruz, Mariana e Simão no filme Amor de Perdição.

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      Teresa e Tadeu de Albuquerque no filme Amor de Perdição.
      • Simão: o narrador da obra na introdução faz uma caracterização de Simão. Este passa a dizer: “Simão António Botelho, que assim disse chamar-se, ser solteiro e estudante na universidade de Coimbra, natural da cidade de Lisboa(…) filho de Domingos José Correia Botelho e de D. Rita Preciosa Caldeirão Castelo Branco; estatura ordinária, cara redonda, olhos castanhos, cabelo e barba preta, vestido com jaqueta de baetão azul, colete de fustão pintado e cala de pano pedrês.” Após a visão de Teresa, Simão transforma-se: distancia-se da ralé de Viseu; torna-se caseiro; cumpre os seus deveres de estudante; passeia pelo campo, procurando o espaço natural, em detrimento do espaço social. Mas quando Teresa é obrigada a sair da janela, local onde via Simão e, posteriormente, quando lhe comunica o desejo do seu pai de que ela se case com o seu primo Baltasar, Simão revela-se de novo rebelde. A par desta faceta, irá porém surgir uma outra: a sua nobreza de alma, que se manifesta no momento em que deseja poupar um dos criados de Baltasar, que tentara matar Simão, pelo facto de o homem se encontrar ferido.O seu sentimento exacerbado de honra é também notável – ele manifesta-se pelo facto de Simão enfrentar sempre aqueles que se lhes opõem, pelo facto de se ter negado a fugir, depois de ter morto Baltasar, em legítima defesa, e ainda por recusar qualquer ajuda da família, aceitando a sua condenação à forca e, depois, ao degredo. O seu código de honra conduzi-lo-á, em última análise, à sua tragédia.O sentimento de dignidade é, por outro lado, inseparável da possibilidade de realização do seu amor – é assim que Simão não acede ao pedido de Teresa, para que cumpra os dez anos de pena, em Portugal, na cadeia.
      • Teresa: Teresa representa um tipo vulgar na galeria feminina das heroínas românticas do tempo: amorosa angelical, vítima indefesa num mundo que não lhe pertence, porque organizado para servir apenas o egoísmo arbitrário dos homens, é um ente sensível, frágil, tendencionalmente incorpóreo votado pela fatalidade para o deperecimento e a aniquilação. Mas essa sua personalidade ganha certa força na alternância desta fraqueza com uma também sua própria vocação para morrer insubmissa.  É que no fundo nada consegue deter a determinação a que se entrega. “A desgraça não abala a minha firmeza, nem deve intimidar os teus projectos.” – escreve ela a Simão.
      • Mariana: Mariana é a figura mais humana e mais complexa da obra. Mariana é vista como um símbolo de gratidão desinteressada: é a enfermeira sempre vigilante do filho do desembargador Domingos Botelho que salvara seu pai da forca. É um símbolo de generosidade discreta e delicada, pois dá ao hóspede bens pessoais, cuidava do preso com abundância e limpeza, e a todos dizia que ali estava por ordem e à custa da senhora D. Rita Preciosa. Mariana como um símbolo de amor humilde, puro: contenta-se com amar sem ser amada, fazendo do amor um serviço gratuito, uma dádiva prestada sem quaisquer esperanças de reciprocidade. 
      • Baltasar Coutinho: Baltasar vive na dupla função para que o autor o criou: ser, por um lado, uma simples peça dinâmica da intriga; por outro, surgir, pelos defeitos que encarna (covardia, perversão pelo interesse do sentimento amoroso, cinismo, vaidade, desdém), como elemento contrastante de Simão, cujas qualidades e simpatia avultam neste jogo de oposições intencionais.
      • Tadeu de Albuquerque e Domingos Botelho: Estas duas personagens não diferem fundamentalmente uma da outra, como símbolos que são de pais despóticos, cuja autoridade se escuda por detrás de princípios morais de tónica puramente formal, já que sempre traem este ou aquele interesse pessoa mesquinho, manipuladores arbitrários que são de pessoas e instituições pela força do dinheiro, da pressão hierárquica e das relações comprometidas. Tadeu é figura mais conseguida que a de Botelho – sobretudo quando, para o fim da história, Camilo o descreve com os olhos encovados a reverem o suor e o sangue de uma raiva que pedia debalde vingança. 
      • João da Cruz: O ferrador ergue-se, ainda sobre o esqueleto do bom bandido, tão caro a ficção ultra-romântica, que Camilo nele de certo modo e insinua e absolve na apóstrofe com que comenta a morte do generoso protetor de seu tio paterno. Mas a carne que veste esqueleto é viva – e tão naturalmente viva, que até a função dinâmica para que o narrador criou a figura se perde e apaga.
      • D. Rita:representa a convencionalidade do sentimento materno – age mais por obrigação familiar do que por motivos afetivos; ajuda Simão porque esse é o seu papel e não porque o amor de mãe a leve a perdoar e a compreender as atitudes do filho.
      • Ritinha: distingue-se das outras irmãs de Simão pela sua capacidade afetiva e representa, para Simão, o único laço familiar genuíno, porque é conduzida por aquilo que sente e não pelas convenções que lhe são impostas. A sua ligação a Simão leva-a a ser ela a relatora da sua história ao autor da obra, quando este era criança.

      quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

      Amor de Perdição.

      • Título e Subtítulo

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      Amor de Perdição tem como subtítulo Memórias de uma família. De facto, o autor narra episódios da família Correia Botelho, ou seja, muitas das situações vividas pelo escritor e pela sua própria família. Os seus fundamentos são históricos, embora não se possa determinar com exatidão até onde vai a verdade histórica e onde começa a fantasia. Simão Botelho existiu na realidade. Por detrás dele, tio de Camilo, o próprio escritor apaixonado e desequilibrado.
      • Espaço e tempo

       O espaço físico, em Amor de Perdição, conhece um afunilamento progressivo à medida que a acção trágica se encaminha para o seu clímax e, posteriormente, para o desenlace final. Assim, de um espaço amplo exterior onde as personagens evoluem livremente, passa-se para um espaço fechado e reduzido onde as personagens são encarceradas. Este espaço reduzido simboliza a prisão da própria vida, visto que estão enclausuradas na dimensão da própria tragédia.
      O tempo da obra é caracterizado como diegético. Na introdução, abarcam-se 40 anos, são os antepassados de Simão.
      A acção decorre em 6 anos (1801 - 1807):
      · 1801, Domingos Botelho corregedor em Viseu, Simão tem 15 anos.
      · 1803, Teresa escreve uma carta a Simão, revelando as intenções de seu pai de a enviar para um convento.
      · 1804, Simão é preso.
      · Prisão de Simão de 1805 a 1807. Antes de embarcar para o degredo, fica 20 meses na prisão.
      · 17/3/1807, Simão parte para a Índia.
      · 28/3/1807, ao romper da manhã, Simão morre.
      · tempo do discurso (forma como o narrador elabore o seu relato).
      O narrador segue a cronologia acima apresentada, narrando de forma cronológica os acontecimentos.
      • Linguagem, estilo e estrutura da obra

      O livro de Camilo é rico em cartas entre Simão e Teresa. O discurso epistolar contém uma linguagem emotiva, apelativa, exclamativa e expressiva. As cartas têm frequentemente frases curtas e vocativos, como “Não receies nada por mim, Simão.”
      O livro também é rico em diálogos e adjetivos. Os adjetivos estão presentes em todas as fases do romance: “faca pavorosa”, “luz mortiça da lâmpada”, “amor discreto e cauteloso”.
      A frase “Amou, perdeu-se e morreu amando” pode ser utilizada para sintetizar a obra Amor de Perdição da seguinte maneira: “Amou” representa a introdução da obra, onde faz referência a dados biográficos do Camilo e a apresentação global do infortúnio de Simão Botelho. “perdeu-se”, correspondendo ao desenvolvimento da obra que vai do capítulo I até ao capítulo XX. Ocorrem vários factos como a paixão entre Teresa e Simão. Por fim, “morreu amando”, reenvia para o desfecho da obra com a morte trágica de Simão e o suicido de Mariana.
      • Narrador e Narratário.

      Podemos caracterizar o narrador como heterodiegéitico, é apenas considerado narrador e não personagens pois este não participa na ação acabando por recorrer á terceira pessoa gramatical. É omnisciente pois tem conhecimento de tudo o que se passa com a história e com as personagens.  




      Camilo Castelo Branco


      Resultado de imagem para camilo castelo brancoCamilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de março de 1825. Filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, Camilo foi registado como filho de mãe incógnita, pelo que se diz, porque o seu pai e a sua avó não queriam que o nome Castelo Branco estivesse envolvido com alguém de tão humilde condição. A morte do pai obrigou-o a ir viver para Trás-os-Montes. Como era uma criança sensível e muito inteligente, sofreu grandes perturbações com todos os acontecimentos da sua infância. Ao longo da sua existência, revelou-se um falhado nos estudos e nos amores. As vicissitudes da vida fazem-lhe despoletar a ideia de que a fatalidade e a desgraça são destinos a que não pode escapar. Foi um profissional das letras multifacetado, cuja obra o posicionou com uma das figuras mais eminentes da literatura portuguesa. Apaixona-se por Ana Augusta Vieira Plácido. Ana Plácido era uma mulher casada mas Camilo consegue seduzi-la. Fogem os dois mas acabam por serem capturados e julgados pelas autoridades acabando por serem enviados para a Cadeia da Relação do Porto, onde Camilo escreve a obra Amor de Perdição. O caso de Ana Plácido e de Camilo Castelo Branco emocionou a opinião pública, pelo seu conteúdo tipicamente romântico de amor contrariado. Suicidou-se a 1 de junho de 1890, na freguesia de Ceide, Vila Nova de Famalicão.

      Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Castelo_Branco#Bibliografia

      sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

      Um Auto de Gil Vicente.

      Um Auto de Gil Vicente escrito entre 11 de junho e 10 de julho em 1838. Marcou a sua opção por uma dramaturgia nacional de inspiração romântica que, anos mais tarde, teria a sua mais elevada realização artística em Frei Luís de Sousa. Um Auto de Gil Vicente é um drama histórico, em três atos, com a ação a decorrer na corte de D.Manuel para celebrar a partida da Infanta D. Beatriz para Saboia, onde casaria com Carlos III. Gil Vicente prepara a representação da peça Cortes de Júpiter e é em torno deste acontecimento que se desenrola a trama, insinuando os amores de Bernardim Ribeiro e da Infanta D. Beatriz.
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      A peça estreou-se a 15 de Agosto do mesmo ano mas só em 1841 é que foi publicada. A obra apresenta figuras históricas em momentos de grandeza espiritual. 
      Garrett, o autor da obra, na 1ª edição da peça juntou a declaração: " [...] Eu não quis só fazer um drama, mas sim um drama de outro drama e ressuscitar Gil Vicente a ver se ressuscitava o teatro".
      A ação decorre na corte de D. Manuel, tendo como polos de atuação a figura de Gil Vicente e a de Bernardim Ribeiro. 
      As personagens constituem três grupos:
      • As que têm conhecimento do amor entre Bernardim Ribeiro e a Infanta D. Beatriz (que é o caso de Paula, Pêro Sáfio e D. Manuel);
      • As que suspeitam (que é o caso dos embaixadores italianos);
      • As que ignoram (que é o caso do resto das personagens). 
      As personagens que fazem parte desta peça são: 
      • D. Manuel; 
      • Infanta D. Beatriz;
      • Bernardim Ribeiro;
      • Gil Vicente;
      • Pêro Sáfio;
      • Paula Vicente;
      • Conde de Vila Nova;
      • Garcia de Resende;
      • Barão de Saint- Germain;
      • Dr. Jofre Passeiro;
      • Chatel;
      • Bispo de Targa;
      • Mordomo-mor do rei D. Manuel;
      • Um Pajem;
      • Dona Inês de Melo;
      • Joana do Taco.
      Paula Vicente favorece os encontros clandestinos entre o poeta Bernardim Ribeiro e D. Beatriz. Acontece que, Paula Vicente também está apaixonada pelo poeta, mas este amor não é correspondido. Beatriz depende desta sua confidente, a única testemunha do momento de sofrimento por que está a passar. Bernardim é caracterizado como poeta e louco. Esta apaixonado pela Infanta a quem dedica o seu livro Saudades. Em termos de desenlace não há qualquer alteração à situação que se explicitara inicialmente. Perante esta realidade, o desejo de morte como libertação para o "mal de amor" é expresso pelos amantes e sublinhado pelos sucessivos desmaios de Beatriz. 
      As referências a aspetos históricos e culturais aparecem ao longo do texto e pintam uma moldura histórica. 

      O teatro português até ao século XIX

      Houve dois momentos em que as estruturas socioeconómicas e politicas se mostraram particularmente propícias à eclosão do fenómeno teatral. O primeiro corresponde aos reinados á época áurea dos Descobrimentos, da afirmação de Portugal na Europa, nos reinados de D.Manuel e de D. João III, do grande afluxo de riquezas do exterior e do consequente domínio da corte na vida nacional.