sábado, 1 de outubro de 2016
Folhas Caídas.
É uma colectânea de poesias escritas por Almeida Garrett e publicada na fase final da sua vida, em Abril de 1853, um ano antes de morrer, em 9 de dezembro de 1854. Segundo diversos estudiosos, Garrett escreve a obra como forma de demonstrar seu amor a Rosa Montufar (a viscondessa da Luz).
São inúmeras as marcas românticas presentes nos poemas desta colectânea: a)Tratamento do tema dicotomia amor/paixão; b)Confessionalismo literário; c)Defesa do mito de Rousseau do bom selvagem – crença na corrupção inerente ao homem social que se opõe à sua bondade inata;
d) Apologia da liberdade de sentir/amar sem quaisquer constrangimentos sociais – ex: o casamento; e) Dicotomia mulher-anjo / mulher fatal; f) Concepção de amor como força avassaladora, tirana e irracional; g) Presença de alguns temas e formas populares – ex: a pesca; utilização da quadra (quatro versos numa estrofe) e da redondilha maior e menor (sete e cinco sílabas métricas).
A linguagem do autor é simples, por vezes coloquial e familiar, não sendo, no entanto, vulgar ou descuidada. O estilo é hiperbólico, exclamativo, socorrendo-se de inúmeros artifícios como:
- Metáfora – Pescador da barca bela / onde vais pescar com ela…-;
- Interrogação rétorica– Anjo és tu ou és mulher?-;
- Adjetivação expressiva - e só te quero / de um querer bruto e fero / que não chega ao coração…;
- Antitese – Não te amo, quero-te!
- Exclamação – Olha bem estes sítios queridos! / vê-os bem neste olhar derradeiro!…;
- Personificação – olha o verde do triste pinheiro, entre muitos outros.
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Folhas_Ca%C3%ADdas
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
O Romantismo.
O romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que durou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.
As origens do movimento são de diversa natureza, podendo falar-se de origens sociais, politicas, filosóficas e literárias.
- Origens Sociais: o desenvolvimento de um novo gosto, diferente do gosto clássico, prende-se ao desenvolvimento da burguesia e ao aumento do número de leitores de origem burguesa.
- Origens Politicas: paralelamente às transformações sociais, ocorreram transformações politicas no sentido da construção de regimes mais democráticos, em Inglaterra( Revolução Inglesa de 1688) e na França- Revolução Francesa, surgida no final do século XVIII- uma revolução em que se deu grande importância ao Homem, ao individuo à liberdade, à igualdade e fraternidade entre os cidadãos. Ao entusiasmo revolucionário de cariz liberal suceder-se-ia, no entanto, o desencanto perante as promessas não cumpridas, como foi o caso de muitos românticos europeus, como Almeida Garrett.
- Origens Filosóficas: prendem-se com o desenvolvimento das filosofias idealistas na Alemanha, com Fichte e Kant.
- Origens Literárias: os romantismos europeus vão entroncar nos pré-românticos e, em especial, no movimento alemão do "Sturm und Drang'' (Tempestade e Ímpeto).
- no domínio narrativo: o romance histórico(misto de História e de ficção; o romance psicológico(misto de psicologia e de ficção); o romance contemporâneo, de costumes( misto de sociologia e de ficção.)
- no domínio da poesia, do lirismo: a poesia intimista, a poesia filosófica e a metafisica e, sobretudo, o poema em prosa.
- no domínio dramático: a tragédia e a comédia clássicas foram substituídas pelo drama, misto de sublime e de grotesco.
Inovou a linguagem e o estilo. Apostou numa linguagem coloquial, simples, um estilo digressivo e solto, com mistura de níveis de língua, com enriquecimento lexical nos domínios da introdução de neologismos e estrangeirismos, e um notório enriquecimento nos domínios da adjectivação e da metáfora.
O Romantismo em Portugal.
Iniciou-se com Almeida Garrett, em 1825. Durou cerca de 40 anos terminando por volta de 1865. A primeira geração do romantismo em Portugal vai de 1825 a 1840. Os principais autores são Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Antônio Feliciano de Castilho. A segunda geração, de 1840 a 1860, tem como principais autores, Camilo Castelo Branco e Soares de Passos. A terceira geração, pré-realista, de 1860 a 1870, aproximadamente, teve como principais autores Júlio Dinis e João de Deus.
Na temática da poesia e da ficção, a par do amor platónico, aspiração à mulher-anjo abundam os sentimentos fortes, carregados- ciúme, vingança, desespero- a exigirem o estilo exclamativo. O Romantismo constitui uma tomada de consciência, a conquista dum senso crítico novo aplicado aos fenómenos da cultura. Começa-se a relacionar o Homem com o meio a que pertence, a época de que é produto.
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo#Romantismo_em_Portugal
CARDOSO, Elsa e SILVA, Pedro, 2016, Viagens Literatura Portuguesa 11º ano, Porto: Porto Editora.
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo#Romantismo_em_Portugal
CARDOSO, Elsa e SILVA, Pedro, 2016, Viagens Literatura Portuguesa 11º ano, Porto: Porto Editora.
O Contexto Político e Social do Romantismo Português
O nosso
movimento romântico surgiu no contexto das lutas liberais que, a partir de
1820, constituíram o acontecimento que marcou definitivamente a nossa História
política e social do século XIX e o ponto de viragem para a modernidade.
O eco das
ideias da Revolução Francesa chegara já aos nossos pré-românticos, deixando
marcas na sua poesia, principalmente, na poesia e vivências da Marquesa de
Alorna e Bocage.
Posteriormente,
na sequência das Invasões Francesas, de 1807-1810, as ideias liberais começaram
a difundir-se e a ganhar adeptos.
Em 1820,
deu-se uma revolta militar no Porto, revolta de carácter liberal, que levou a
eleições para as Cortes no ano seguinte e que faz regressar o rei a Portugal.
Em 1822 é jurada em Lisboa a 1ª Constituição liberal. Nesse mesmo ano, o
herdeiro real, D.Pedro IV proclama a independência da colónia brasileira, de
que se tornou Imperador com o nome de Pedro I.
Em 1823,
eclode a Vila-Francada, movimento militar reaccionário, liderado pelo Infante
D.Miguel, irmão de D.Pedro. D.Miguel,
vitorioso do golpe, suspende, então, a Constituição e encerra as Cortes. Em
1824, o mesmo D.Miguel lidera novo movimento reacionário, destinado a destituir
seu pai, D.João VI.
É a altura de D. Pedro, herdeiro legítimo do trono de Portugal, renunciar ao seu título de Imperador do Brasil e vir para Portugal. Como esta era ainda menor, D. Miguel é designado regente, tendo jurado a Carta Constitucional, que o seu irmão outorgara. Pouco depois, porém, dissolveu as Cortes e fez-se nomear como rei absoluto; na sequência, novas perseguições aos liberais. Inicia-se então uma Guerra Civil, opondo absolutistas, sob comando de D. Miguel e apoiados pela Igreja e liberais, liberados por D. Pedro. A guerra prolonga-se por três anos, deixando profundas feridas entre os que a fizeram e a sofreram.
Não foi fácil, porém, o período que se seguiu, nomeadamente com as lutas politicas havidas entre os defensores da Carta Constitucional.
No entanto, era já o final do Antigo Regime e a vitória dos novos tempos, marcados pelo poder da burguesia liberal vitoriosa. Importantes medidas foram tomadas, como a abolição dos morgadios e dos direitos senhoriais, o confisco dos bens da Igreja e a extinção das ordens religiosas.
A partir de 1851, teve lugar um movimento militar anticabralista, liderado pelo Duque de Saldanha, e incentivado por algumas grandes personalidades liberais, como Alexandre Herculano, em cuja casa, de resto, a revolução foi preparada.
Foi justamente no contexto das lutas liberais e pela consolidação da revolução liberal que se desenvolveu entre nós o Romantismo que nasceu em parte no exílio, com a chamada geração dos Românticos Vintistas.
Fonte: CARDOSO, Elsa e SILVA, Pedro, 2016, Viagens Literatura Portuguesa 11º ano, Porto: Porto Editora.
Almeida Garrett
Almeida Garrett pode definir-se como o escritor que
representa um tempo que é sobretudo de transição, entre um Neoclassicismo com
marcas visíveis do pensamento iluminista e um Romantismo que Garrett tratou de
difundir entre nós.
Tal como acontece com outros escritores da nossa Literatura
(Camões e Bocage, por exemplo), Garrett constitui uma personalidade já de si
com uma dimensão verdadeiramente literária, no sentido em que é dotado de uma
contextura psicológica peculiar.
Garrett convida a uma espécie de fusão entre a representação
literária de temas e atitudes românticas e a vivência, no quotidiano, desses
temas e atitudes – ainda que eventualmente seja difícil distinguir o que nela
existe de autêntico do que é encenado.
O carácter multiforme da psicologia garrettiana muito tem que
ver com uma vida literária que se desenrola sob o signo da mudança: o
Neoclassicismo ao Romantismo, Garrett experimente soluções experimenta soluções
estéticas inovadoras, sem nunca postergar por inteiro, é bom notar, a lição
neoclássica que fora da sua formação.
O Garrett romântico manifesta-se seduzido pelos valores do
Romantismo, o jovem poeta exilado fixa no prólogo do Camões princípios que regem uma criação literária dominada por
procedimentos tipicamente românticos: a altiva consciência da inovação, a
rejeição das regras, o primado do sentimento, o culto da independência, nos
planos estéticos e político.
Fontes:
CARDOSO, Elsa e SILVA, Pedro, 2016, Viagens Literatura Portuguesa 11º ano, Porto: Porto Editora.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Magro, de olhos azuis, carão moreno.
- Magro, de olhos azuis, carão moreno,
- Bem servido de pés, meão na altura,
- Triste de facha, o mesmo de figura,
- Nariz alto no meio e não pequeno;
- Incapaz de assistir num só terreno,
- Mais propenso ao furor do que à ternura;
- Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
- De zelos infernais letal veneno;
- Devoto incensador de mil deidades
- (Digo, de moças mil) num só momento,
- E somente no altar amando os frades,
- Eis Bocage, em quem luz algum talento;
- Saíram dele mesmo estas verdades,
- Num dia em que se achou mais pachorrento.
- Estrutura interna: Na primeira quadra o sujeito poético faz a sua descrição fisica e na segunda quadra e no primeiro terceto faz o seu retrato psicológico. No segundo terceto o sujeito poético revela a sua identidade ( ''Eis Bocage'') e a razão de estar a escrever este poema.
Características Neoclássicas e Pré- Românticas
Características Neoclássicas:
- Carpe diem (o desejo de aproveitar a vida, a juventude);
- Locus Amoenus (observa a natureza como um lugar agradável);
- Rigor formal ( obediência à rima e à métrica do poema);
- Mitologia greco-latina (presença de elementos da mitologia);
Características Pré- Românticas:
- Emotividade (expressão da emoção em oposição à razão que o persegue);
- Individualismo e egocentrismo (expressos por meio da autopiedade)
- Religiosidade ( nos seus últimos poemas, Bocage arrepende-se de ter desrespeitado a igreja).
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