quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Os Livros de Linhagens na Idade Média Portuguesa.

Os livros de linhagens ou nobiliários foram na Idade Média, considerados de grande relevância do ponto de vista social. Sentia-se uma necessidade de escrever as genealogias dos senhores, das grandes famílias, para que por elas se conhecessem os ascendentes, porque só conhecendo se evitariam os casamentos incestuosos, podendo-se viver, assim fora de pecado.
Elucidavam também sobre os mosteiros de que os senhores eram fundadores e dos benefícios a receberem provenientes dessas fundações.
Há livros de linhagens que extrapolam a simples genealogia, ganhando, assim, uma nova dimensão. O "Livro Velho", "O Livro do Deão" e o "Livro de Linhagens do Conde D. Pedro" são os mais importantes.
O primeiro foi escrito nos finais do século XIII, perdeu-se e está representado por um manuscrito do século XVII.
O segundo foi escrito em 1343, a pedido de um deão para os fidalgos ficarem a conhecer as suas famílias.
O "Livro de Linhagens do Conde D. Pedro" foi escrito em 1340 a 1344. A obra afasta-se das típicas genealogias pois ultrapassa as fronteiras do reino.

Características da sátira trovadoresca.

A sátira do período trovadoresco reveste-se das seguintes características:

  1. É concreta e particular. Na verdade, são muito raras as cantigas que visam defeitos de carácter geral e de um modo abstracto, como a mentira, a luxuria, a inceceridade, avareza. Não atacam o vicio em si, atacam pessoas particulares que se revelam mentirosas, cobardes, sensuais ou avarentas.
  2. É fundamentalmente de carácter social. Como mais tarde fará Gil Vicente, os trovadores satirizavam tipos sociais. Assim, vemo-las criticar: membros do clero com comportamentos pouco edificados; nobres cobardes e empobrecidos; os vários ofícios(jograis); os vilões.
  3. É, em parte, muito obscena. Encontramos em muitas composições satíricas com obscenidades de realismo cru.

Variedade da sátira trovadoresca.

Consoante a temática ou a forma, as cantigas sátiras e trovadorescas recebem os seguintes nomes:

  1. Joguete de arteiro: composição de escárnio propriamente dita.
  2. Risadilha: composição provocadora de riso, mas pouco elegante quase obscena.
  3. Cantiga de seguir: composição parodiada de outra poesia da qual adota a música e a rima.
  4. Tenção: composição dialogada entre dois trovadores que se contradizem.

Cantigas de escárnio e maldizer.

A poesia satírica galego-portuguesa, constituída por cantigas autóctones e pela adaptação do serventes, oferece-nos um precioso testemunho sobre a idade média portuguesa e peninsular, na medida em que documenta os seus costumes, sem a idealização da cantiga de amor. 

  1. As cantigas de maldizer. São aquelas em que os trovadores criticam os costumes. Estas cantigas apresentam uma intenção moralizadora e aproxima-se do serventes moral. Utiliza uma linguagem obscena.
  2. As cantigas de escárnio. São aquelas que os trovadores usam para dizer mal de alguém. Não se chega a dizer o nome da pessoa. Usam-se trocadilhos e jogos semânticos e recursos retóricos.

Variedade das cantigas de amor


  1.  Canções de mestria.


  • Dobre: consiste na repetição da mesma palavra em lugares simétricos da estrofe.
  • Mozdobre: como a dobre, é a repetição da mesma palavra em sitio simétrico da estrofe, jogando com as suas flexões. 
  • Atafinda: é uma espécie de encavalgamento entre os versos ou estrofes. Consiste na ligação do período ou da oração que termina no meio do verso ou da estrofe seguinte.
  • Finda: é uma espécie de conclusão tem dois ou três versos que resume a cantiga.
  • Verso perdudo: é um verso introduzido no meio da estrofe, sem correspondência rimática.
     2. Tenções: são diálogos entre dois trovadores, nos quais um procura contrair o outro.
     3. Prantos: são lamentações pela morte de alguém ou então desabafos.
     4. Desabafos: eram composições multilingues dos quais se exprimiam os conflitos de amor.
      5. Cantigas de refrão: são canções de amor onde aparece o refrão, típico das cantigas de amigo.

Cantigas de amor.

O lirismo provençal foi certamente conhecido na Península Ibérica bastante cedo. A poesia autóctone e a poesia de imitação provençal são, pois, simultaneamente cultivadas nas cortes da península e mutuamente se influenciam. No entanto, algo as distingue e as torna inconfundíveis: nas cantigas de amor é o homem que se dirige à amada ("senhor") a confessar os seus sentimentos, pelo contrario, nas cantigas de amigo, é uma rapariga que recorda o amigo ausente, tornando como confidente a mãe, as amigas e a Natureza.
A cantiga de amor exprime a "coita de amor" (paixão infeliz, amor não correspondido que se torna obsessão), repete-se em tom de queixa ou de suplica.

O código de amor cortes.

O trovador serve a sua "senhor" com diligência e fidelidade. O amor português ganha em emoção e sinceridade. O amor não podia falar uma linguagem desordenada, impetuosa, tinha de se conter em certos limites de razoável moderação(mesura). A mesura é a virtude suprema do amador. A outra obrigação que o perfeito amador tinha era: a mais absoluta discrição que lhe vedava, sobretudo, divulgar o nome da amada. O rasgo mais característico do amor português é a coita de amor, que faz enlouquecer e morrer o pobre namorado. A norma era, ao fim de uma vida voltada a um amor infeliz, não compartilhado, morrer nas cantigas.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Cantigas de amigo.

O emissor é uma rapariga apaixonada que tomando como confidente a mãe, as amigas e a Natureza,exprime o seu drama sentimental, devida á ausência do amigo ou namorado. As cantigas de amigo ou "cantigas de mulher" testemunham a existência de um lirismo autóctone e popular. Resultando do aproveitamento estético da tradição galego-portuguesa, a cantiga de amigo de molde popular obedece a uma estrutura estrófica e rítmica que lhe imprime musicalidade: é a paralelística perfeita.Quem escreve a cantiga é o trovador que se faz passar por uma rapariga apaixonada.


Paralelismo:

Non chegou, madre, o meu amigo,
e hoj'ést'o prazo saído!
     ai, madre, moiro d'amor!

Non chegou, madre o meu amado
e hoj'ést'o prazo passado!
     ai, madre, moiro d'amor!

E hoj'ést'o prazo saído!
Por que mentiu o desmentido?
     ai, madre, moiro d'amor!

E hoj'ést'o prazo passado!
Por que mentiu o perjurado?
     ai, madre, moiro d'amor!

Por que mentiu o desmentido
pesa-mi, pois per si é falido.
     ai, madre, moiro d'amor!

Por que mentiu o perjurado
pesa-mi, pois mentiu a seu grado.
     ai, madre, moiro d'amor.